Uma das principais regiões de Piracicaba, Santa Terezinha vive um dilema em torno da grafia do nome, o que coloca moradores em posições opostas
Bruno Bianchim Martim
No alfabeto, apenas seis letras separam o ‘S’ do ‘Z’. No entanto, mais que a diferença próxima entre as consoantes, em Santa Terezinha, a distância é confusa e contraditória: a Paróquia de Santa Teresinha, por exemplo, leva o ‘Z’ logo em sua porta de entrada. Dentro da paróquia, os folhetos distribuídos aos fiéis são grafados com ‘S’. Controverso? Sim, o que também confunde a cabeça de moradores. “Não tem discussão. Nas placas, nos comércios e prédios é possível ler o Santa Terezinha escrito com o ‘Z’”, diz o aposentado Pedro Barbosa, 68, acompanhado do amigo e também aposentado Luis Antonio Filipo, 65. “Não existe o ‘S’ no nome do bairro. Ficaria esquisito”, completa Filipo.
Há alguns passos da rua Virgílio Fagundes, principal corredor comercial de Santa Terezinha, não fica difícil se contradizer. A proprietária da auto-escola Santa Teresinha, Sandra Gumier Cruzatto, 57, diz que a grafia escolhida para o nome de seu estabelecimento é a correta. “De tanto ver, a gente acaba escrevendo desse jeito”, afirma ela, que optou pelo nome em homenagem a Santa Teresinha de Lisieux, escrito com ‘S’. “As contas de água e luz vem com o ‘Z’ no lugar do ‘S’. Mas eu acredito que essa seja a forma certa, com ‘S’”, garante.
Na agência dos Correios em Santa Terezinha, as funcionárias Juliana Cunha e Fernanda Forti são enfáticas: a maior parte das pessoas escreve o nome do distrito com ‘Z’. “As pessoas mais velhas, como adultos e idosos, preferem usar o ‘Z’”, conta Forti. “Mas, entre as crianças e os mais jovens, o ‘S’ é bastante usado”, diz. Contudo, não há problema, “a carta de qualquer jeito acaba sendo destinada ou chegando da maneira correta, não tem erro”, resume Cunha. Para elas, “90% das pessoas que procuram os Correios, escreve Santa Teresinha com ‘Z’”.
O aposentado Laerte Rufino, 67, que passeava pelas ruas centrais de Santa Teresinha após fazer compras no supermercado, diz que a grafia não muda muito sua rotina. “Não faz muita diferença. Mas as pessoas sempre escreveram com Z. É difícil encontrar algum comércio escrito com S”, explica ele, que é morador nato do bairro. Antonio Bessi, 60, também aposentado, afirma que a pergunta o complica. “Eu escrevo com ‘S’, já que minha sobrinha grafa desse jeito”, afirma.
Mas discussão não termina por aí. Edison Giusti, também morador do bairro, tem um álibi a favor da grafia com ‘Z’. Ele mostra documentos imobiliários da década de 1960 onde o nome da região é apresentada com ‘Z’. “É preciso definir isso, porque fica ruim para nós, a gente acaba, de certa forma, perdendo a identidade como bairro”, avalia. Para ele, há uma diferença crucial entre o ‘Z’ e o ‘S’: o primeiro é para designar o bairro e o segundo é correto para a santa. “Então, quando for falar do bairro é com ‘Z’”, defende. Porém, surge outra questão: mas se o nome do bairro é em homenagem à santa, não seria correto então seguir o nome da padroeira.
Com certeza, essa novela ainda terá novos capítulos.
Fonte: A Tribuna.